Festival de Curitiba
Grupo Galpão faz reflexão sobre o presente, durante o Festival de Curitiba, em “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”
Montagem dirigida por Rodrigo Portella chega na Mostra Lucia Camargo e atualiza a distopia criada por José SaramagoNo romance Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago (1922–2010), uma inexplicável epidemia de “cegueira branca” atinge pessoas comuns numa grande cidade do mundo.No
Atualizado em 27 de agosto de 2026

Montagem dirigida por Rodrigo Portella chega na Mostra Lucia Camargo e atualiza a distopia criada por José Saramago

(um) ensaio sobre a cegueira I crédito: fernando lara
No romance Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago (1922–2010), uma inexplicável epidemia de “cegueira branca” atinge pessoas comuns numa grande cidade do mundo.
No livro publicado originalmente em 1995, tudo começa com um homem no trânsito, repentinamente cego. Rapidamente, a condição se espalha e coloca à prova a moral, a ética e as noções coletivas da vida social.
Trinta anos depois, o Grupo Galpão interpreta o texto do autor português ganhador do Prêmio Nobel de Literatura numa montagem que tem sido recebida como “obra-prima” pela crítica e que está na programação da Mostra Lucia Camargo da 34ª edição do Festival de Curitiba.
A peça “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira” terá duas sessões nos dias 31 de março e 1º de abril no Guairinha, às 20h30. Os ingressos para o festival estão à venda pelo site www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física no Shopping Mueller (Av. Cândido de Abreu, 127 – Piso L3, Centro Cívico).
Com direção de Rodrigo Portella, O Galpão faz o clássico conversar com o tempo presente, em que as distopias estão integradas ao cotidiano. Segundo o ator Eduardo Moreira, o espetáculo é uma reflexão sobre os “limites tênues entre civilização e barbárie”, disse Moreira.
“A verdade é que o romance de Saramago se tornou, com o tempo, ainda mais atual. As autocracias, a ameaça à democracia, todos estes aspectos que se acentuam vertiginosamente no mundo contemporâneo estão presentes, de forma incisiva, na distopia apresentada pelo romance”, disse o ator Eduardo Moreira.
Ele conta que, no processo da montagem, o grupo fez algumas adaptações pontuais, como, por exemplo, o fato de o primeiro cego ser um evangélico. Ou o fato de a mulher do médico se transformar no personagem da mulher que vê.
“Algumas adaptações foram feitas pontualmente para trazer o romance mais para perto de nossa visão contemporânea. Mudanças que trouxeram o texto para mais perto de nossa visão mais contemporânea, em que a ameaça distópica é ainda mais ameaçadora e presente nos nossos dias, o que só potencializa o caráter do texto. Os personagens, confinados num manicômio, veem-se ameaçados nas condições mínimas de higiene e de sobrevivência. As regras de convivência ficam severamente ameaçadas. Tudo isso faz com que a civilização se mostre enfraquecida e a fera selvagem que cada um de nós traz dentro de si ameace pular para fora e mostrar suas garras”, conclui.
Galpão encontra Portella e Puppi
Formado em Belo Horizonte em 1982, o Grupo Galpão tem uma tradição de encontros com grandes diretores como Paulo José, Gabriel Vilella e Márcio Abreu. E como diz a “lei natural” destes eventos, ambos saem transformados. Segundo Moreira, o trabalho com Portella foi um processo “profundamente transformador”.
“Além de um diretor com uma visão aguçada do teatro e do trabalho do ator, é um excelente dramaturgo, que articula com grande habilidade o poder das palavras e a capacidade de expressar as ideias do romance.”
A direção musical de Federico Puppi é outro destaque da montagem. O grupo desenvolveu uma oficina com o músico, a partir de algumas indicações e provocações feitas pelo diretor. Foram compostas 10 músicas, integralmente utilizadas na construção do espetáculo.
“Foi realmente um trabalho profundamente revelador, que nos possibilitou mergulhar na intrínseca relação entre o trabalho musical e a criação teatral e dramatúrgica”.
O primeiro festival sem Teuda Bara
Esta é a décima segunda vez que o Grupo Galpão vem ao Festival de Curitiba, mas a primeira sem a sua atriz-símbolo Teuda Bara, que faleceu no ano passado. Teuda é uma das homenageadas do 34º Festival de Curitiba, dando nome à Sala da Imprensa.
“Teuda faz uma enorme falta. Ela encarnava o espírito de festa, de alegria e de despudoramento do teatro. Uma verdadeira entidade dionisíaca, que nos alimentava e que fazia do nosso teatro uma permanente festa popular” disse.
Ele conta que o grupo ainda está tentando aprender a viver sem essa presença tão marcante. “É óbvio que estamos diante de um enorme desafio. Mas, em nome do seu espírito e de tudo aquilo que ela representa, nossa tarefa é a de seguir em frente. Sempre.”
A Mostra Lucia Camargo no Festival de Curitiba é apresentada por Petrobras, Sanepar e Governo do Estado do Paraná, Prefeitura de Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba, com patrocínio de EBANX, Viaje Paraná e Copel, com realização do Ministério da Cultura e Governo Federal - Do lado do povo brasileiro. Acompanhe todas as novidades e informações pelo site do Festival de Curitiba www.festivaldecuritiba.com.br, pelas redes sociais disponíveis noFacebook @fest.curitiba, peloInstagram @festivaldecuritiba e peloTwitter @Fest_curitiba.
**Ficha Técnica:**Elenco: Antonio Edson, Eduardo Moreira, Fernanda Vianna, Inês Peixoto, Júlio Maciel, Luiz Rocha, Lydia Del Picchia, Paulo André e Simone Ordones; Direção e Dramaturgia: Rodrigo Portella; Diretores Assistentes: Georgina Vila Bruch e Paulo André; Direção Musical, Trilha Original e Paisagem Sonora: Federico Puppi; Cenografia: Marcelo Alvarenga (Play Arquitetura);Figurino: Gilma Oliveira; Interlocução Dramatúrgica: Bianca Ramoneda;**Iluminação:**Rodrigo Marçal e Rodrigo Portella; Adereços: Rai Bento; Visagismo: Gabriela Dominguez; Desenho Sonoro, Programação e Mixagem: Fábio Santos; Assistência de Direção: Zezinho Mancini; Assistência de Figurino: Caroline Manso; Assistência de Cenografia: Vinícius Bicalho; Construção Cenário: Artes Cênica Produções; Costuras: Danny Maia; Fotos: Igor Cerqueira e Mateus Lustosa; Registro e Cobertura Audiovisual: Luiz Felipe Fernandes; Comunicação: Letícia Leiva e Fernanda Lara; Projeto Gráfico: Filipe Lampejo e Rita Davis; Consultoria de Acessibilidade: Oscar Capucho; Operação de Luz: Rodrigo Marçal; Operação de Som: Fábio Santos; Técnico de Palco: William Bililiu; Assistente Técnico: William Teles; Assistente de Produção: Zazá Cypriano; Produção Executiva: Beatriz Radicchi; Direção de Produção: Gilma Oliveira; Produção: Grupo Galpão.
Serviço:
(Um) ensaio sobre a cegueira – Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba
**Local:**Guairinha - Auditório Salvador de Ferrante - Rua 15 de Novembro - 971 - Centro
**Data:**30 de março e 1º de abril
Horário: 20h30
**Categoria:**Drama
**Classificação:**16 anos
**Duração:**140 min
34.º Festival de Curitiba
**Data:**De 30/3 até 12/4 de 2026
Valores: Os ingressos vão de R$00 até R$85 (mais taxas administrativas).
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller - Piso L3 (Segunda a sábado, das 10h às 22h e, domingos e feriados, das 14h às 20h).
Verifique a classificação indicativa e orientações do espetáculo.
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