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Réstia de Histórias leva universo de Gabriel García Márquez ao teatro em espetáculo imersivo

Primeira criação do Núcleo de Intermitências Teatrais, montagem da Alameda aproxima literatura, memória e experiências do público em uma encenação inspirada na vida e na obra do escritor colombiano

26 de setembro de 2026 4 min
Réstias de Histórias Créd. Chico Nogueira

Literatura, memória e teatro se encontram em “Réstia de Histórias”, primeira criação do Núcleo de Intermitências Teatrais da Alameda Cia Teatral. O espetáculo nasceu de uma investigação coletiva sobre a vida e a obra de Gabriel García Márquez e transforma referências do escritor colombiano em uma experiência cênica que convida o público não apenas a assistir, mas também a compartilhar histórias.

Com direção de Cristóvão de Oliveira, a montagem estreou em 2023, com sua primeira temporada no Teatro Enio Carvalho. Desde então, o trabalho ocupa um lugar particular na trajetória da Alameda ao marcar o início de uma nova frente de pesquisa e experimentação artística da companhia.

O processo de criação teve como ponto de partida a autobiografia “Viver para Contar”, de García Márquez. A partir da obra, o grupo ampliou a pesquisa para outros textos do autor, buscando identificar características recorrentes de seu universo literário e as relações entre lembrança, invenção e narrativa. A dramaturgia surgiu de maneira colaborativa durante os ensaios. Improvisações, exercícios cênicos e memórias pessoais do elenco foram incorporados ao processo, aproximando as experiências dos intérpretes das histórias associadas ao escritor.

Em cena, oito atores assumem diferentes personagens ao longo do espetáculo: Heleno Rohn, Vanessa Strelow, Patrícia Barros, Jader Alves, Leda Jankoski, Helmann Padilha, Dani Balhuk e Marília Carzino.

Réstias de Histórias.3 Créd. Chico Nogueira
Crédito: Chico Nogueira

Público é convidado a sentar à mesa

Uma das características centrais de “Réstia de Histórias” é a relação construída entre elenco e espectadores. Em determinados momentos, o público é convidado a sentar-se à mesa para tomar café com bolo e compartilhar histórias e experiências pessoais. A proposta rompe a separação tradicional entre palco e plateia e transforma o encontro em parte da própria encenação. A estrutura não segue necessariamente uma narrativa linear. Memórias relacionadas a García Márquez, relatos pessoais do elenco e experiências trazidas pelos espectadores passam a coexistir durante a apresentação. O espetáculo também ocupa áreas além do palco convencional. Espaços de passagem e transição do teatro são incorporados à montagem como parte da pesquisa sobre memória, convivência e os vestígios deixados pelas histórias nos lugares. A proposta é transformar o espaço teatral em ambiente de escuta e compartilhamento, aproximando o ato de contar histórias da experiência coletiva de ouvi-las.

Espetáculo inaugura nova fase da Alameda

A montagem também representa o primeiro resultado cênico do Núcleo de Intermitências Teatrais, criado dentro da Alameda como espaço dedicado à investigação de novas linguagens e processos artísticos. Segundo a companhia, a criação do Núcleo surgiu da vontade de desenvolver trabalhos sem partir necessariamente de caminhos já consolidados.

“O Núcleo nasce justamente da vontade de criar sem necessariamente partir de caminhos já conhecidos, permitindo que novas perguntas, linguagens e possibilidades de cena possam surgir.”

Nesse processo, “Réstia de Histórias” funciona como uma espécie de apresentação pública dessa nova frente de criação. A intenção, porém, não é transformar o espetáculo em um projeto isolado. A companhia afirma que o Núcleo foi pensado como espaço contínuo de experimentação.

“Réstia de Histórias é uma espécie de inauguração: é o primeiro resultado concreto de um processo que pretende continuar vivo e em movimento.”

A criação ganha ainda outro significado dentro da trajetória da companhia. A Alameda se aproxima dos 25 anos de fundação e utiliza o novo núcleo como uma forma de conciliar sua história com a busca por novas possibilidades artísticas. Para o grupo, a proximidade do aniversário não representa apenas um momento de retrospectiva, mas também de desenvolvimento de novos caminhos.

“Celebrar 25 anos não significa apenas olhar para o que já fizemos, mas reconhecer que ainda existe muito a descobrir.”

Réstias de Histórias.5 Créd. Chico Nogueira
Crédito: Chico Nogueira

Depois de diferentes temporadas e trabalhos desenvolvidos ao longo de sua trajetória, a estreia do primeiro espetáculo do Núcleo de Intermitências Teatrais passa a representar também esse movimento de continuidade. A companhia define “Réstia de Histórias” como um trabalho que ocupa simultaneamente dois lugares: resultado de uma trajetória construída ao longo de décadas e início de uma nova frente de pesquisa.

“Ele é, ao mesmo tempo, fruto de 25 anos de trajetória e começo de uma nova história.”

Ao aproximar a literatura de Gabriel García Márquez das lembranças dos próprios artistas e das experiências do público, “Réstia de Histórias” utiliza o teatro como espaço de encontro. Entre ficção, memória, café e histórias compartilhadas, a montagem propõe que narrar também pode ser uma maneira de construir memória coletivamente.

*Espetáculo produzido com recursos da Lei Municipal de Incentivo a Cultural, através da Fundação Cultural de Curitiba e Prefeitura Municipal de Curitiba. *

Serviços

“Réstia de Histórias” Quando: 26 e 27 de setembro às 9h Onde: Teatro Enio Carvalho Quando: 03 de outubro às 15h Onde: Casa Hoffmann Quanto: Entrada gratuita Sujeita a lotação. A distribuição dos ingressos será realizada 1 hora antes de cada apresentação, na bilheteria.

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