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Seis encontros, seis criações inéditas: Flucti Conecta ocupa a Alfaiataria em Curitiba
Projeto da Cia. Fluctissonante é gratuito e reúne artistas surdos e ouvintes em residência artística que resulta em seis criações inéditas apresentadas em Curitiba com acessibilidade integrada aos processosO que acontece quando artistas surdos e ouvintes, com diferentes trajetóri
Atualizado em 27 de agosto de 2026

Projeto da Cia. Fluctissonante é gratuito e reúne artistas surdos e ouvintes em residência artística que resulta em seis criações inéditas apresentadas em Curitiba com acessibilidade integrada aos processos

Encontros que atravessam a cena: Kelly Caobianco, intérprete de Libras, e as artistas Flávia Imirene e Gabriela Grigolom durante a residência do Flucti Conecta. Crédito: Juliana Takenaka.
O que acontece quando artistas surdos e ouvintes, com diferentes trajetórias e pesquisas, aceitam criar juntos sem partir de uma proposta criativa pré estabelecida? A resposta pode ser vista gratuitamente no Flucti Conecta, novo projeto da Cia. Fluctissonante que ocupa a Alfaiataria - Espaço das Artes, nos dias 18, 19, 25 e 26 de julho, em Curitiba.
O projeto reúne seis investigações cênicas inéditas desenvolvidas ao longo de residências artísticas compostas por duplas formadas por integrantes da Cia. Fluctissonante e convidades. São processos em construção, entre cenas, performances, leituras e experimentações, ou ainda nada disso, compartilhados pela primeira vez com o público. Cada criação tem até 20 minutos de duração e um único ingresso permite acompanhar as seis apresentações realizadas em sequência ao longo de cada dia.
Idealizado pela atriz Helena de Jorge Portela, diretora artística da Cia. Fluctissonante, e pelo ator Igor Augustho, diretor de produção da Pomeiro Gestão Cultural, o projeto nasce do risco, da possibilidade de compartilhar com públicos interessados trabalhos que operam a partir das identidades, diversidades e interesses dos artistas envolvidos. “Cada dupla chegou com sua própria trajetória. O que o público vai ver é o resultado desse encontro entre diferentes formas de criar, ainda abertas”, conta Helena.
Na edição de estreia, o Flucti Conecta promove os encontros entre Alucas Santos e Paula Roque; Catharine Moreira e Talita Grünhagen; Gabriela Grigolom e Flávia Imirene; Helena de Jorge Portela e Allan Nikitis; Igor Augustho e Gilda Elisa; e Nautilio Portela e Marcel Malê. Cada dupla desenvolve sua investigação acompanhada por uma pessoa interlocutora convidada, ampliando o diálogo artístico e aprofundando a experiência criativa.
O processo também sobe ao palco
Cada dupla parte de seus repertórios e linguagens para construir uma criação inédita. O Flucti Conecta convida o público a acompanhar pesquisas em andamento, revelando os caminhos, experimentações e descobertas que fazem parte da criação artística.
Para Igor Augustho, a potência do projeto está justamente na experimentação do encontro. “O Flucti Conecta nasce da vontade de aproximar artistas e criar um espaço onde diferentes trabalhos possam dialogar. São encontros que ampliam repertórios e convidam o público a compartilhar esse percurso conosco”, afirma.
A retirada dos ingressos gratuitos acontece uma hora antes do início da programação na bilheteria da Alfaiataria, quando são disponibilizadas 20 lugares na plateia. Como parte do público pode optar por assistir apenas algumas investigações, novos ingressos são liberados entre uma apresentação e outra, conforme a disponibilidade de lugares.
Criar também é ampliar acessos
A Cia. Fluctissonante atua há quase dez anos com criação cênica bilíngue, aproximando Libras e português em seus processos. O Flucti Conecta marca uma nova etapa dessa trajetória ao reunir, pela primeira vez, também a acessibilidade arquitetônica em toda a programação.
Segundo Helena de Jorge, o projeto representa um avanço na trajetória da companhia. “É um passo importante na nossa trajetória e sei aproxima de um desejo antigo da companhia de trabalhar na direção de um desenho universal na criação cênica”, explica.
Todas as apresentações contam com interpretação em Libras, audiodescrição e estrutura arquitetônica acessível para pessoas com mobilidade reduzida e usuárias de cadeira de rodas. De acordo com Igor, os recursos de acessibilidade assumem diferentes funções em cada investigação. “Em alguns casos, Libras e audiodescrição estão integradas à cena; em outros, atuam como tradução e mediação. O mais importante é que todas as apresentações são acessíveis, respeitando a lógica de cada criação.”
O projeto é realizado com recursos do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba e da Prefeitura de Curitiba.
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