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Vozes que resistem: “Édipo: Uma Ópera RAP” retorna em nova temporada na Capela Santa Maria
Montagem híbrida que une tragédia grega, ópera e rap reestreia em Curitiba com protagonismo feminino e entrada gratuita nos dias 22 e 23 de maio.Entre o trágico e o pulsante, entre o mito e a urgência do agora, o espetáculo “Édipo: Uma Ópera RAP” retorna para uma temporada, em no
Atualizado em 27 de agosto de 2026

Montagem híbrida que une tragédia grega, ópera e rap reestreia em Curitiba com protagonismo feminino e entrada gratuita nos dias 22 e 23 de maio.

Na foto de @fiscaazulfotogtafia, a atriz Taciane Vieira em cena ocupa o centro da narrativa como Antígona, conduzindo com voz e presença a travessia poética de “Édipo: Uma Ópera RAP”.
Entre o trágico e o pulsante, entre o mito e a urgência do agora, o espetáculo “Édipo: Uma Ópera RAP” retorna para uma temporada, em novo formato, renovando sua potência estética e política ao revisitar um dos mais conhecidos mitos da antiguidade sob uma perspectiva radicalmente contemporânea: a das mulheres que sobreviveram à tragédia.
Após sessões lotadas no Teatro Guairinha, em 2024, a montagem da Entre 2 Produções chega à Capela Santa Maria para duas apresentações gratuitas, nos dias 22 e 23 de maio, precedidas por um ensaio aberto no dia 20. A obra, que articula tragédia grega, ópera e rap, transforma o palco em território de fricção entre linguagens, tempos e vozes, sobretudo aquelas historicamente silenciadas.
Sob direção cênica de Jossane Ferraz, dramaturgia de Marcelo Bourscheid e direção musical e composição de André Ricardo Souza, o espetáculo constrói uma tessitura híbrida em que o erudito e o urbano não apenas coexistem, mas se tensionam e se reinventam mutuamente. Em cena, canto lírico, beats, corpos em movimento e poesia falada erguem uma narrativa que desloca o centro do mito: não mais o herói trágico, mas as mulheres que restam. “A gente não queria apenas revisitar o mito, mas escutar o que ficou à margem. É um trabalho sobre presença, sobre as mulheres que permaneceram e que agora conduzem a narrativa”, destaca a diretora Jossane.
Da tragédia clássica ao corpo contemporâneo
Inspirado na obra de Sófocles, o espetáculo desloca o eixo narrativo para Antígona e Ismene, filhas de Édipo, que assumem o protagonismo de uma história marcada por fatalidades e silenciamentos. Ao dar corpo e voz a essas personagens, a montagem propõe uma escuta ampliada, sensível e crítica, sobre as heranças simbólicas e afetivas que atravessam o feminino ao longo da história.
O trabalho nasce de um processo colaborativo que reúne artistas de diferentes campos, do hip hop à música de concerto, da dança urbana à interpretação teatral, criando uma linguagem cênica singular, marcada pela força coletiva e pela diversidade de expressões.
Quando as mulheres ocupam a narrativa
Em “Édipo: Uma Ópera RAP”, o mito é atravessado por um gesto político e poético que devolve às mulheres o lugar de narradoras de sua própria história. Antígona e Ismene emergem das margens para se tornarem eixo e pulsação da cena.
Em cena, Taciane Vieira, Jaquelivre, Vanessa Rafaelly, Jossane Ferraz e Kimberlyn Freitas tecem um tecido vivo de vozes e presenças que sustenta a narrativa. Entre canto, palavra e movimento, suas atuações não se organizam apenas como personagens, mas como um coro feminino que atravessa o espetáculo, ampliando a escuta e tensionando as camadas do mito. Soma-se a elas a presença do ator e bailarino Silvester Neto e do MC Junior Zehut, que irrompem em cenas de rap. Ao lado desse núcleo, outros artistas e musicistas reforçam a arquitetura coletiva da obra, na qual o feminino não é apenas tema, mas força estruturante da cena.
Entre batidas, árias e movimentos, o espetáculo constrói uma paisagem sonora e visual que evoca tanto o rito ancestral quanto a urgência urbana. O resultado é uma obra que reverbera no presente, questionando estruturas de poder, memória e apagamento. “A música nasce desse encontro entre mundos que, à primeira vista, parecem distantes. O rap traz a urgência da fala, enquanto o canto lírico expande o tempo da escuta. Juntos, eles criam uma dramaturgia sonora que atravessa o corpo e a memória”, afirma o diretor musical André Ricardo.
SERVIÇO:
ÉDIPO: UMA ÓPERA RAP
Ensaio aberto: 20 de maio (terça-feira), às 15h
Reservas: via Instagram @entre2producoes ou pelo e-mail entre2prod@gmail.com
Apresentações: 22 e 23 de maio ( sexta-feira e sábado), às 20h
**Sessão com Libras:**23 de maio
Local: Capela Santa Maria
Entrada: Gratuita
Classificação indicativa: 14 anos
Realização: Entre 2 Produções
SINOPSE
A clássica narrativa de Édipo, o rei tebano que mata o pai e se casa com a própria mãe, é um dos mitos mais conhecidos da antiguidade clássica. No espetáculo Édipo: Uma Ópera RAP, essa história é recontada a partir da perspectiva das filhas do rei tebano, Antígona e Ismene, últimas remanescentes do legado imemorial de mortes e infortúnios que permeia a família de um dos personagens mais conhecidos da mitologia grega.
FICHA TÉCNICA
**Direção:Jossane Ferraz| Direção Musical e composição:**André Ricardo | **Dramaturgia:**Marcelo Bourscheid | **Assistência de direção e designer gráfico:**Rapha Fernandes | **Produção e Realização:**Entre 2 Produções | Assistentes de produção: Róger Borges Araujo e Íris Pereira Gonçalves | **Elenco:**Taciane Vieira, JaqueLivre, Silvester Neto, Kymberlyn Freitas e Jossane Ferraz | **Instrumentistas:**Dalila Lopes, Violinista Chavosa, Lina Abe e João Martinez | **Cantora lírica:Vanessa Rafaelly| MC:**Junior Zehut | **Iluminação:**Lucri Reggiani | **Cenografia:**Jossane Ferraz e Rapha Fernandes | **Figurino:**Rapha Fernandes | **Assessoria de Imprensa:**Bruna Bazzo
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